Boas práticas durante o processo de desmame dos bezerros

por Raíssa Guimarães | 15 de fevereiro de 2021

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Um processo muito delicado na pecuária é o desmame. Pois, caso não seja feito de maneira estratégica, pode causar prejuízos na produção de carne ou de leite, assim como o mal-estar nos animais envolvidos. 

Normalmente, ele acontece quando os bezerros estão com 6 a 8 meses de vida, e se feito de forma abrupta, gera alterações comportamentais que resultam em estresse nos animais, e todo pecuarista sabe que animais estressados produzem menos. 

Pensando nisso, algumas práticas foram desenvolvidas para melhorar o processo de desmame, ajudando a minimizar seus efeitos negativos. Continue com a gente neste artigo e descubra quais são elas. 

Desmame com contato visual

Pesquisadores da Universidade da Califórnia-Davis comprovaram que manter as vacas e os bezerros lado a lado, separados apenas por uma cerca, com o cocho de água comum entre eles, torna o processo menos traumático. 

Isso acontece porque permitindo que visualizem e escutem um ao outro, não se sintam totalmente sozinhos na busca de um pelo outro, e ainda ganham 30% mais peso que os animais desmamados de forma abrupta. 

Desmame em dois estágios

Essa prática consiste, no primeiro estágio,  em colocar um acessório na narina do bezerro para que ele não consiga mamar. No entanto, ele continua caminhando e pastando junto com a mãe. 

No segundo estágio, eles são completamente separados, da mesma maneira que acontece no sistema tradicional. Mas, por conta do primeiro estágio, o desmame não é tão traumático pois mantém o vínculo entre os animais. 

Após a separação completa, o índice de vocalização - na comparação com a separação abrupta - cai em 85%; o tempo de caminhada cai 80%; enquanto o de alimentação aumenta 25%; e o de descanso também sobe 24%. 

Desmame controlado

Com o desmame controlado, normalmente os bezerros são colocados em piquetes com grande oferta de pasto, água e sombra duas vezes ao dia e, no período da manhã e à tarde, eles são colocados novamente junto com as vacas para mamar. 

Essa prática, que programa a quantidade de vezes que o bezerro irá até a matriz, também é muito benéfica, pois tanto os bezerros quanto as vacas não apresentam sinais de estresse e passam pelo processo de forma gradual.

Outros cuidados

Por fim, independente da prática escolhida pelo produtor, outros cuidados devem ser sempre tomados para também evitar o mal-estar dos animais. 

É importante sempre oferecer à recria um piquete com oferta suficiente de pastagem, água fresca e sombra. 

Evitar a aplicação de vacinas, vermífugos ou castração dos animais durante o período de desmame. O melhor é que os procedimentos aconteçam com no mínimo 30 dias antes de começar o processo de desmame. 

E o transporte deve ser evitado durante o desmame ou logo após. O recomendado é que se espere o período de 15 a 20 dias e que o transporte seja realizado de maneira menos estressante possível. 

Fontes: iRancho; PremiX; Coimma 

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